Exposição

o (tempo)

Exposição o (tempo), de Waltercio Caldas

14 Mai a 27 Set

De terça-feira a domingo
das 12h às 18h
*Entrada até 17h15

R. Cosme Velho, 1105
Rio de Janeiro, RJ

Exposição

o (tempo)

Exposição o (tempo), de Waltercio Caldas

14 Mai a 27 Set

De terça-feira a domingo
das 12h às 18h
*Entrada até 17h15

R. Cosme Velho, 1105
Rio de Janeiro, RJ

Waltercio Caldas
ESPELHO PARA VELÁZQUEZ, 2000

ESPELHO PARA VELÁZQUEZ

Exposição o (tempo), de Waltercio Caldas

A exposição “o (tempo)” coincide com os 80 anos do artista. Não se trata, contudo, de uma retrospectiva celebratória nem de um alinhamento cronológico de sua produção: aqui o tempo é fluido e as 108 obras, concebidas em diversos momentos de sua trajetória, estão distribuídas, por afinidades visuais, em todos os espaços da Casa.

Propicia-se ao espectador navegar através dessa universal, inconsútil e irrevogável medida temporal. Não apenas o tempo presente, mas aquele referido por T.S. Elliot em "Burnt Norton":

O tempo presente e o tempo passado/ Estão ambos talvez presentes no tempo futuro/ E o tempo futuro contido no tempo passado/ Se todo tempo é eternamente presente/ Todo tempo é irreversível.

Em 1959 o neoconcreto acrescentou à lógica do concretismo um experimentalismo que singularizou e universalizou a arte construtiva brasileira. Na estilhaçada década seguinte a geração de Waltercio Caldas não teve o conforto de um “estilo” que os abrigasse; nessa solidão libertária, coube a cada um inventar sua própria linguagem. Para Waltercio o aspecto construtivo, ainda que presente, está longe de ser o protagonista único de sua poética.

Enquanto o neoconcreto convocava o espectador a interagir fisicamente com a obra, para Waltercio o contato é de outra ordem. Se muitos objetos neoconcretos só se realizavam inteiramente através do movimento, como os "Bichos" de Lygia Clark, para ele as esculturas são definidas como “estáticas”, deixando ao espectador a interação visual a partir de seu próprio deslocamento. Suas obras possuem a prerrogativa de construir o próprio espaço e nele completarem suas existências.

Os objetos do artista são os sujeitos da ação articulada entre os sentidos e a mente. Estimulam a dúvida abrindo um abismo entre o que se vê e o que se pensa. Objetos fugidios que revelam sua transcendência apenas no momento exato para aqueles que os descobrem no hiato entre o olhar e o entendimento. Objetos transparentes, cujo segundo olhar será sempre uma revisão do que já foi percebido.

Para Waltercio interessa conferir aos objetos o poder de suas constituições antes de serem nomeados. Preservariam, assim, a sua essência irredutível à linguagem que viria classificá-los. Em suas próprias palavras: “Eu gostaria de produzir uma peça com o máximo de presença e o máximo de ausência”. A inteligência visual, aliada ao humor, permeia sua obra assim como a instauração de uma constante dúvida sobre "O que é mundo e o que não é".

Para Jorge Luis Borges o tempo é um labirinto de possibilidades simultâneas desdobrando-se, portanto, em múltiplos caminhos. Ao escolhê-los definimos o que somos. Desse modo não apenas estamos no tempo mas também o constituímos.

Convidamos o visitante a percorrer a poética desses espaços como uma entidade que, malgrado todas as dificuldades do mundo contemporâneo, permite à Casa Roberto Marinho cumprir o desejo de apresentar o melhor da arte de nosso tempo.

Lauro Cavalcanti
Diretor Casa Roberto Marinho

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